Sair melhor ou pior desta crise econômica e política é uma questão de escolha

Uma das poucas certezas sobre as crises econômicas é que ninguém sai das crises como entrou. Saímos melhores ou piores. As nossas escolhas neste momento irão determinar como será o nosso futuro quando a tempestade passar.

Não temos como prever a duração e tão pouco os impactos finais que terão nossos negócios com a atual crise economia, política e sanitária que vivemos.

Listei cinco aspectos que merecem especial atenção para controlar os impactos deste momento.

Demanda e despesas – Alguns estudos sugerem que apenas em 2023 retornaremos ao nível de atividade econômica do ano passado. É possível que a recuperação venha antes, mas contar com isso pode custar caro demais. O mercado, nos próximos meses, será de menos clientes com menos dinheiro para consumir. Por isso, é preciso readequar as despesas. Isto significa reduzir gastos daquilo que antes considerávamos “intocáveis”. As crises nos ajudam a redefinir o conceito de essencial.

Quanto menor for a despesa fixa e maior a variável, menos as empresas sofrem quando há queda de demanda e faturamento, como estamos vivendo agora. Quanto maior a alavancagem (a relação entre as despesas fixas e as variáveis), maior o risco do negócio. Como a sua empresa está tratando deste tema?


Clientes – Nunca o valor de um cliente foi tão precioso. Entender as necessidades do cliente neste momento significa entender muito mais do que os seus hábitos passados de compra e sua nova forma de consumir. Se o seu cliente atualmente está em atraso com os pagamentos, muito provavelmente não o fez por má fé, mas por necessidade, o que significa que vocês deverão dialogar e encontrar um meio termo em conjunto para que o seu negócio possa sobreviver e para que o seu cliente possa te pagar e continuar comprando agora e no futuro. O custo de uma perda de cliente, e posterior investimento na conquista de outro apenas para substituir o cliente perdido, seguramente não se paga economicamente.


Nunca foi tão importante estreitar relacionamentos com a base. É importante ter em mente que não existe relacionamento entre empresas, mas entre pessoas que trabalham em empresas parceiras. Entender de pessoas e do fator humano é um diferencial competitivo extremamente valioso neste momento.


Tecnologia – As vídeo conferências em poucas semanas passaram a fazer parte da rotina de uma grande parcela dos empresários e executivos. O home office, muitas vezes percebido como um risco à produtividade das empresas, finalmente virou um aliado justamente a serviço do aumento da produtividade. Uma vez passada a pandemia, quantas viagens serão realmente necessárias para a boa gestão dos negócios? Nesta linha de adesão tecnológica, temos também a economia com aluguéis de escritórios e salas de reunião quando é promovido um home office eficiente. Já fez as contas como os aprendizados adquiridos durante a crise podem se traduzir em economias vitalícias de dinheiro para o seu negócio?


Super comunicar – Neste momento, devemos usar e abusar da comunicação transparente e direta com os nossos funcionários, fornecedores, clientes, parceiros comerciais e acionistas. Falar abertamente sobre os desafios da empresa abre espaço para um trabalho colaborativo e para a construção de novas rotas.


Caixa – A recessão pode ser longa e isto está completamente fora do nosso controle. Um caminho é trabalhar com diferentes cenários de recuperação. Em todos eles, uma certeza: cuidar e proteger o caixa deve ser prioridade máxima. Ter linhas de crédito disponíveis pode significar a sobrevivência de muitos negócios. Precisamos nos acostumar com a ideia de que a vida não vai “voltar ao normal” e, sabendo que as melhores organizações não são necessariamente as maiores, nem as teoricamente mais fortes, mas sim as que possuem maior capacidade de adaptação, devemos enxergar as mudanças como oportunidades antes que os nossos concorrentes o façam!


*Sérgio Ferreira é consultor focado em gestão com resultados e conselheiro formado pelo IBGC

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