Por que “O poder do hábito” deveria ser o livro de cabeceira de todo empreendedor?

Capa do livro "O poder do Hábito"

Nas últimas semanas tenho compartilhado com vocês algumas das minhas ideias sobre empreendedorismo. Conteúdos que têm o potencial para mudar os resultados de muitas empresas, afinal são inspirados na minha própria experiência como líder em grandes empresas e nos meus projetos de consultoria. 

A história que inspirou esse post começou em um sábado à tarde, realizando um dos maiores prazeres que tenho na vida: passar horas nas livrarias, bebendo café e água com gás enquanto folheio livros. Dificilmente consigo sair sem levar comigo um ou dois. Eventualmente leio um ou outro no laptop, mas esta viagem às livrarias e o contato com os livros físicos é sensacional – para quem gosta, é claro. Estou tentando curar essa minha “compulsão”, mas confesso que sem muita vontade…

Começo este texto citando e recomendando um dos melhores livros que li nos últimos tempos: O poder do hábito, do escritor americano Charles Duhigg. Quando vi esse livro pela primeira vez, achei o tema interessante e convincente. 

Sempre que afirmo que algo é “convincente”, logo me vem em mente uma frase do estatístico Edward Deming, um dos gênios de maior estatura do século passado: “Acredito em Deus, todos os outros devem apresentar dados e fatos”

Voltando ao “O Poder do hábito”, este foi o livro que, para mim, teve aplicabilidade imediata. Logo nos primeiros capítulos, comecei a enxergar várias oportunidades práticas para mudar na minha vida pessoal. Fiz uma lista realmente exaustiva dos meus bons e maus hábitos. Exercício desafiador, adianto para vocês….

Em seguida, fiz a conexão dos hábitos com uma outra grande paixão da minha vida: os negócios

Ainda que o livro tenha sido escrito para o grande público, foi surpreendente perceber como as organizações – assim como as pessoas – também sofrem com maus hábitos, alguns bem visíveis, outros menos, cultivando pouco os bons hábitos.

O mais preocupante aqui é que os hábitos seguem a lógica dos juros compostos, ou seja, o seu impacto se torna exponencialmente maior no longo prazo. São os bons e os maus hábitos que vão diferenciar as empresas que conseguirão crescer consistentemente ao longo de décadas ou mesmo séculos, daquelas que ficarão pelo caminho.

Desse modo, observar os hábitos das empresas passou a ser uma obsessão minha. Não apenas observar os hábitos, mas a forma como as empresas lidam com o “seu poder”.

Eu não preciso argumentar que cultivar hábitos positivos é benéfico para as empresas, da mesma maneira que é importante eliminar os nocivos. O grande dilema que quero apresentar neste artigo, não está concentrado apenas em estabelecer bons hábitos, mas sim em ser capaz de enxergar e questionar os maus hábitos.

Pensem comigo, é praticamente um consenso afirmar que “o mundo está em constante mudança”. Apesar de desconhecer alguém que discorde desta visão, não foram poucas as vezes  que me surpreendi com a distância entre o discurso e as práticas das pessoas em relação a isso.

Já perdi as contas de quantas vezes me choquei ao ouvir a resposta que colaboradores, colegas, parceiros comerciais e clientes me davam para a seguinte pergunta: “por que você faz essa atividade?” ou “por que você faz esta atividade dessa maneira?”. A resposta, em geral, era totalmente contrária à visão apresentada acima, seguindo a linha do “porque sempre fizemos desta maneira”.

Perceberam a força do hábito? 

Vivi esse cenário em organizações pequenas, médias e em gigantes multinacionais. O ser humano está neurologicamente programado para seguir no “piloto automático”, replicando quase sem pensar –  e também sem gastar muita energia – aquilo que para ele já se tornou um hábito. Organizações, que, na verdade, são conjuntos de seres humanos, seguem a mesma lógica.

Quando o automático está fundamentado em um “bom hábito” e conseguimos disseminá-lo em toda a organização, ao longo do tempo o nível de engajamento dos colaboradores e a produtividade tendem a aumentar de maneira significativa. Imagine uma empresa que tenha como hábito sempre comunicar com clareza a visão, os valores, os sonhos e os principais objetivos para todos os níveis, nos bons e maus momentos, de maneira regular e adequando a mensagem aos diversos públicos internos, essa empresa gradativamente terá mais e mais sucesso, pois possuirá um fluxo constante e transparente de informação, todos trabalharão em prol do mesmo objetivo e seguindo o mesmo conjunto de valores.

O contrário também é verdadeiro. Um mau hábito enraizado em uma organização diminui o engajamento e os resultados. Cito um exemplo que, em tese, faz parte de um passado bem distante das organizações, mas que, na prática, ainda é um mau hábito bem vivo. 

Em muitas organizações ainda existe uma correlação entre promoções e o tempo de casa do colaborador. Este mau hábito funciona quase como uma retribuição da empresa aos anos de dedicação dos colaboradores. Há várias maneiras de reconhecer a lealdade e o comprometimento dos colaboradores ao longo dos anos. A promoção, em muitos casos, é a menos indicada. O risco aqui é destruir o bom hábito da meritocracia. Devemos promover os colaboradores que irão gerar os melhores resultados para todos os stakeholders, inclusive para os companheiros com mais tempo de casa e menos capacidade de entregar resultados consistentemente.

Para entender o quanto esse mau hábito pode ser nocivo, vou trazer um exemplo prático, mas em um contexto totalmente diferente. Pense assim: se um dia (espero que não), você tiver que passar por uma intervenção cirúrgica, como uma operação no joelho e você pudesse escolher entre dois médicos:

  • O primeiro é um ortopedista que trabalha há 25 anos no mesmo hospital, com desempenho mediano.
  • O segundo é um “novato” que trabalha há apenas 10 anos neste hospital, mas que comprovadamente tem um histórico de sucesso nas cirurgias e no pós-operatório. 

Qual médico você escolheria?

A lógica que buscamos para escolher quem vai cuidar da nossa saúde não deveria ser muito diferente da que usamos para criar da saúde da nossa empresa e entregar o máximo de valor para os nossos stakeholders.

Citei aqui apenas 2 exemplos, um de hábito bom e outro de ruim, mas o que realmente deveria tirar o sono dos empreendedores é a lista dos maus hábitos que costuma ser bastante extensa e esses hábitos se propagam organicamente pela organização.

Enquanto isso, a lista de bons hábitos costuma ser menor e a sua propagação não acontece sozinha. Em geral, eles não são devidamente registrados, formalizados e transformados em parte integral do treinamento de todos os colaboradores –  novos e antigos – com exceção de algumas empresas excepcionais, nas quais isso acontece de forma sistemática – aqui as organizações japonesas realmente se destacam.

Mas, voltando à maioria das empresas, não é incomum que uma empresa apresente bons resultados durante um período e sofra quedas impressionantes ao perder um grande talento. Isso mostra que a forma de trabalhar que levava a alta perfomance estava atrelada àquele talento e não a um bom hábito da empresa. 

As empresas simplesmente não podem correr esses riscos. Por isso, registrar erros e acertos do passado (nossos e dos concorrentes) deve ser um bom hábito eterno, enquanto compartilhar os bons hábitos, uma missão obrigatória de todo bom gestor.

Há muito tempo Albert Einstein já nos ensinava que “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Será que aprendemos realmente a lição nas nossas vidas pessoais e corporativas?

Uma forma que encontrei para ajudar as empresas a revisitarem seus hábitos foi a condução de um breve questionário que depois se transforma em plano de ação.

Responda as perguntas abaixo com o máximo de sinceridade e comece a agir com base nas suas respostas para transformar os hábitos da sua empresa.

  1. Quais são os bons hábitos da sua empresa? Você consegue fazer uma lista com os bons hábitos que realmente fazem a diferença na sua empresa, no seu departamento ou área de atuação? 
  2. Quantos deles estão formalizados por escrito? 
  3. Quantos estão sendo devidamente comunicados e treinados até que passem a fazer parte do DNA da empresa?
  4. Quais são os maus hábitos? Faça uma lista começando com os mais relevantes em direção aos menos relevantes. Para isso você vai precisar ter discussões francas com os seus colaboradores, pares e lideranças a fim de chegar a um consenso sobre quais são estes maus hábitos.
  5. Quais atividades devem ser eliminadas completamente ou quais atividades devem sofrer uma mudança radical na forma como são realizadas, para gerarem o máximo de valor para a sua organização? Vocês estão prontos para encarar essas mudanças? O que precisam fazer para se preparar?

Agradeço a Charles Duhhig, Edward Deming e Albert Einstein pelos ensinamentos que tanto nos inspiraram. Mas agora cabe a cada um de nós tratarmos os bons e maus hábitos como prioridade máxima nas nossas organizações.

A melhor maneira de mudarmos a taxa de sucesso das empresas brasileiras é através do compartilhamento de informações de qualidade. Por isso, se gostou desse texto, não deixe de compartilhar. Se possuir uma experiência capaz de agregar a este conteúdo, por favor, nos escreva comentários e caso tenha uma pergunta, será um prazer responder!


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